Patrimônios Históricos e Culturais de Guaratuba

Guaratuba possui 4 Patrimônios Históricos e Culturais registrados, sendo dois prédios tombados e dois patrimônios imateriais  

A Igreja Bicentenária Nossa Senhora do Bom Sucesso foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938, e seu acervo tombado em 1972. Já o Casarão do Porto, foi tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual em 1960. Remanescente da arquitetura colonial, construído em pedras, conchas, areia e óleo de baleia, em 1837, foi registrado pelo pintor francês Debret.

Os bens culturais e históricos a Festa do Divino Espírito Santo – manifestação cultural religiosa dos foliões do Divino e o cultivo e preparo da Ostra Nativa da Baía de Guaratuba, foram registrados esse ano como patrimônio imaterial do município em comemoração aos 250 anos de Guaratuba.

 

Achado histórico: quanto vale a história de uma cidade?

Muitas memórias foram perdidas em Guaratuba com obras de remodelações. A luta pela preservação é muitas vezes emblemática no crescente movimento da sociedade que algumas vezes quer o novo sem destruir o velho. Em 28 de outubro de 2014, participei de um dos momentos históricos mais emocionantes que já vivenciei, quando após um convite do Padre Francisco fomos surpreendidos pelas ossadas encontradas embaixo do Altar Mor da Igreja bicentenária, comprovando o que a histórica da cidade com seus 243 anos de existência, naquele ano, relata nas páginas do livro do historiador Joaquim da Silva Mafra. Logo após um cerimonial digno, Padre Francisco depositou em um pequeno ataúde os restos mortais de alguém que pode ter sido um dos fundadores de nossa cidade.

A família Miranda Coutinho teve a sua origem no genearca Amaro de Miranda Coutinho casado com Dona Maria de Barros. Amaro era pai de Miguel de Miranda Coutinho, o Capitão que contraiu matrimônio com Isabel da Silva de Carvalho, em 27 de setembro do ano de 1742, na Paróquia de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

A família Miranda Coutinho é uma das mais antigas do Paraná e com uma das mais antigas varonias no território paranaense. O Capitão Miranda Coutinho, um dos fundadores de Guaratuba em 1771, a terceira Vila mais antiga do Paraná, vem de família com tronco originário das principais famílias que formaram o crescimento demográfico desta cidade, com predominância tanto na vida administrativa como também comercial e agrícola de Guaratuba.

Ainda nos dias atuais os seus descendentes em linha masculina, com o mesmo nome de Miranda, continuam a morar na mesma praça central de Guaratuba quase 250 depois, fato raro no Brasil. O Capitão Miranda Coutinho trouxe consigo a Imagem do Padroeiro de Guaratuba São Luiz de França, sendo a mesma assentada num pedestal improvisado na Igreja bicentenária e, na ocasião, deixou registrado que seu último desejo seria juntamente com sua esposa, após o falecimento de cada um, seus restos mortais fossem depositados embaixo do Altar Mor, aos pés do Padroeiro. O Capitão faleceu em junho de 1793 e sua esposa um pouco mais tarde, sendo cumprido o que recomendou. A história continua mais viva do que nunca e ficará guardada no local de origem.

No interior de nossa igrejinha era um cemitério e que ainda hoje permanecem em paz restos mortais de nossos antepassados.

Data da construção: 1766-1771.

Proprietário: Mitra Diocesana de Paranaguá

Tombamento Estadual Processo nº 35/72, Inscrição nº34. Livro do Tombo Histórico. Data: 29/02/1972.

Tombamento Federal: Processo n° 21-t, Inscrição nº 13. Livro das Belas Artes, fl. 32. Data: 14/4/1941.

Casarão do Porto

Inexiste documentação a respeito do imóvel um dos últimos remanescentes do período colonial, embora em termos iconográficos esteja registrado numa aquarela de Debret, de 1837, o que permite situar a construção entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX. Trata-se de sobrado de planta quadrada, construído em alvenaria mista, pedra e tijolos, cobertura em telhado de quatro águas, telhas canal, arrematado por beira seveira, aberturas com requadros em cantaria, na fachada principal, nas laterais, em madeira, encimados por vergas curvas no primeiro e segundo pisos, janelas em guilhotina, divididas em quadrículos, e divisórias internas em sistema de pau-a-pique com os vãos preenchidos com barro.

Constitui, sem dúvida, em significativo exemplar da linhagem de sobrados espalhados pelo país edificados em consoante ao período colonial. O imóvel era utilizado para comércio e moradia. Abandonado em meados da década de 70, rapidamente se deteriorou. Em 1994 foi recuperado e adaptado para restaurante.

Localização: Avenida Coronel Afonso Botelho esquina com rua Professor Gratulino de Freitas. Data da construção: Fins do século XVIII, princípios do século XIX.

Proprietário: particular.

Tombamento Estadual: Processo n° 17/66, Inscrição n° 17. Livro do Tombo Histórico. Data: 30/12/1966.

 

Maria do Rocio Bevervanso – Secretária Municipal da Cultura e do Turismo

Patrimônio Imaterial de Guaratuba

Em comemoração ao aniversário de 250 anos de Guaratuba foi realizado o registro de patrimônio imaterial de dois bens culturais e históricos da cidade. As leis sancionadas pelo prefeito Roberto Justus declararam como patrimônio imaterial do Município de Guaratuba a Festa do Divino Espírito Santo e a manifestação cultural religiosa dos foliões do Divino (LEI nº 1.878) e o cultivo e preparo da Ostra Nativa da Baía de Guaratuba (LEI nº 1.879). 

Segundo o Decreto Estadual 4841/2016, em seu Art. 1º institui o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem o Patrimônio Cultural Paranaense. Em seu Inciso 1º, o mesmo artigo, define quais os livros de registros, sendo a Festa do Divino englobada no item “II – Livro de Registro das Celebrações, onde serão inscritos rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social”. Já o Cultivo da Ostra Nativa de Guaratuba é englobado no item “I – Livro de Registro dos Saberes, onde serão inscritos conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades”.

 

Festa do Divino de Guaratuba

A festa de origem açoriana ocorre tradicionalmente no mês de julho de cada ano desde a fundação do município tendo engajamento e apoio de toda a comunidade local. 

A fundação da Vila de São Luiz de Guaratuba da Marinha data de 29 de abril de 1771, pelo Tenente Coronel Afonso Botelho de São Payo e Souza. A primeira missa foi celebrada no dia 28 de abril de 1771, um dia antes de sua fundação.

A Festa do Divino teve seu início no período da colonização do Brasil. Em Guaratuba é tradicionalmente organizada há mais de 117 anos por um casal festeiro nomeado anualmente pela Igreja Matriz.

Antigamente, a cerimônia era simples e realizada apenas uma missa e a procissão. Mais tarde uma pequena festividade foi anexada ao louvor, mas tinha a duração de um dia e não 10, como acontece atualmente. Com o passar dos anos o evento cresceu. No mês de julho, com uma estrutura maior, a festa acontece com diversas atrações e apresentações artísticas que acontecem após as novenas em louvor ao Divino Espírito Santo e a Santíssima Trindade.

Cultivo da Ostra Nativa de Guaratuba

O cultivo da ostra da baía de Guaratuba e suas peculiaridades faz parte da história, da identidade, da cultura e economia de Guaratuba. A nível nacional, os maricultores de Guaratuba foram pioneiros no cultivo da ostra nativa. Entende-se que o Cultivo da Ostra Nativa de Guaratuba como um saber, um conhecimento e um modo de fazer enraizado na comunidade do Cabaraquara. Segundo o Decreto Estadual 4841/2016, em seu Art. 1º institui o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem o Patrimônio Cultural Paranaense, sendo o Cultivo da Ostra Nativa de Guaratuba englobada no item I – Livro de Registro dos Saberes, onde serão inscritos conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades. Cabaraquara é uma vila de pescadores de Guaratuba, localizada depois da travessia do ferry boat.

Além do pioneirismo, as ostras de Cabaraquara possuem o título de melhor ostra do país e uma das três melhores do mundo. A região foi visitada por especialistas japoneses que viajaram pelo Brasil e também avaliaram ostras produzidas em várias regiões do mundo. Os especialistas do Japão afirmaram que a ostra nativa da Baía de Guaratuba, na parte sensorial, é a melhor do país e uma das 3 mais saborosas do mundo. “Já provei ostras praticamente do mundo inteiro mas seguramente posso dizer que as ostras de Guaratuba estão entre as 3 mais saborosas do mundo” (Kikuo Yamamoto). 

Primeiro cultivo no Brasil na técnica de longline, cultivo de ostras em linhas e boias, com submersão total. As “sementes” são colocadas em estruturas submersas na água para se desenvolverem. Depois que atingem um tamanho maior, as ostras são transferidas para as chamadas lanternas, que são como gaiolas feitas de tela de nylon, com vários andares. Em Cabaraquara, o visitante pode conhecer o cultivo de ostras e deliciar-se com a iguaria nos restaurantes locais. A Associação Aguamar tem cerca de 17 associados com produção anual de cerca de 70 a 100 mil dúzias de ostras nativas.

Bibliografia sugerida:

ARQUIVOS DA CURADORIA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DA SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA DO PARANÁ, Curitiba.

CAZAL, Pe. Ayres de. Corografia Basílica.

LEÃO, Ermelino de. Dicionário Histórico 25 Geográfico do Paraná, Curitiba, 1926-1928.

MARTINS, A. Romário. História do Paraná.  Melhoramentos, São Paulo, 1962.

PIZARRO DE ARAÚJO, Monsenhor José De Souza e Azevedo. Memória Histórica do Rio de Janeiro. Imprensa Nacional, Rio De Janeiro, 1945.

Registro de Imóveis, Comarca de Paranaguá, livro 3-e. Ti. 188.

SAINT-HILAIRE, Auguste. Viagem a Curitiba e Província de Santa Catarina, USP, São Paulo, 1978.

SANTOS, Antônio Vieira dos. Memoria Historica, Chronologica, Topographica e Descriptiva de Paranaguá e seu Município, Curitiba, 1962.

SOUZA, Washington Luis Pereira de. A Capitania de São Paulo. Brasiliana, CEN, São Paulo, 1938. Arquivos do Sphan.

WESTPHALLEN, Cecília Maria. Pequena História do Paraná. Melhoramentos, São Paulo, S.D.